DIA MUNDIAL DE COMBATE À AIDS


O dia 1 de dezembro foi internacionalmente instituído como o Dia Mundial de Combate à Aids e é quando o mundo une forças para a conscientização sobre essa doença. Desde o final dos anos 80, tal dia vigora no calendário de milhares de pessoas ao redor do mundo. A AIDS (SIDA) já matou mais de 25 milhões de pessoas e estima-se que 33.2 milhões ainda sejam portadores, fazendo do vírus HIV uma das epidemias mais destrutivas da História. Apesar das melhorias no tratamento e avanços em muitas regiões do mundo, estima-se que 2 milhões de pessoas sejam soropositivos, dentre os quais 270.000 crianças.

World AIDS Day, observed on 1 December every year, is dedicated to raising awareness of the AIDS pandemic caused by the spread of HIV infection. Government and health officials observe the day, often with speeches or forums on the AIDS topics. AIDS has killed more than 25 million people between 1981 and 2007, and an estimated 33.2 million people worldwide live with HIV as of 2007, making it one of the most destructive epidemics in recorded history. Despite recent, improved access to antiretroviral treatment and care in many regions of the world, the AIDS epidemic claimed an estimated 2 million lives in 2007, of which about 270,000 were children.

MÉDICOS QUE NÃO QUEREM CONVERSA


"A teoria de Platão da anamnese, isto é, de que todo o conhecimento é recognição ou recordação do conhecimento que tivemos em nosso passado pré-natal, faz parte da mesma concepção: no passado reside não só o que é bom, nobre e belo, mas também a sabedoria." (A Sociedade Aberta e Seus Inimigos; Sir Karl R. Popper; v. 1; 1974, Itatiaia/Edusp; pág. 238) 


Artigo: Médicos que não querem conversa

A anamnese, conversa inicial com o paciente, está em desuso, mesmo permitindo até 90% dos diagnósticos. Na meu tempo, os exames eram para confirmação 

Folha de S. Paulo, 09.09.2012 
Luis Roberto Londres 

Durante minha formação, tive o privilégio de conviver com Danilo Perestrello, autor de "A Medicina da Pessoa" (Atheneu). Vinham ao consultório não só pessoas doentes, mas pessoas que se sentiam doentes. 

Um dia, em conversa com meu pai, cardiologista cujos passos segui, comentei que metade dos meus atendimentos eram de pessoas sem doença física. Ele retrucou: "Só metade? Você deve estar adoecendo alguns". 

Em inúmeros casos, a simples conversa resolvia a "doença". Muitos saíam da consulta sem solicitação de exames ou receitas. Em nova consulta, estavam totalmente "curados". 

Na medicina atual, aos poucos a pessoa foi reduzida à condição de doente. Não mais interessava sua vida, história, personalidade ou situação psicológica e social, apenas os sintomas no momento da consulta. A anamnese, entrevista inicial com o paciente, passou a se limitar aos dados da doença apresentada. A alteração biológica passa a ser tudo. 

Na medicina atual, não se leva em conta características específicas de cada paciente, que podem determinar se o tratamento indicado deve ser administrado. Um exemplo gritante é aplicação de cirurgias ou tratamentos agressivos, tantas vezes extremamente dispendiosos, a idosos que provavelmente faleceriam de outras causas antes que a doença em questão levasse ao óbito.

Médicos se sentem oprimidos em relação ao tempo que podem dispensar a uma consulta e perderam o espírito crítico em relação ao valor da anamnese -que, segundo Howard Barrows, da Universidade de Southern Illinois, dá ao bom médico 90% de chance de diagnóstico certo. 

Deixamos de lado os princípios médicos para atender volume. Recém-formado, fui colocado em um ambulatório com uma lista de 40 pacientes para serem atendidos em quatro horas. Atendi como deveria e, ao final do meu tempo, havia atendido por volta de 15. No dia seguinte, fui chamado à diretoria do hospital, que questionava minha conduta. Médicos não têm de atender filas, têm de atender pacientes. 

Na nossa época de estudantes, aprendíamos que exames serviam para confirmar ou não o diagnóstico e quantificar alguns parâmetros. Hoje, isso foi esquecido. Além disso, médicos se fiam em laudos de colegas que não conhecem, sem avaliar o grau de sua capacidade médica. 

Com esse reducionismo, o médico é cada vez mais dispensável, podendo ser substituído por computadores.  

[Luiz Roberto Londres, 71, médico e mestre em filosofia pela PUC-RJ, é presidente da Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro]